CINE PLAZA: O Cinema do "Progresso"

CINE PLAZA: O Cinema do "Progresso" - Imagem fictícia.
CINE PLAZA: O Cinema do "Progresso" - Imagem fictícia.

A história da inauguração e a própria trajetória do Cine Plaza, em Piracicaba (SP), estão intimamente ligadas a um dos capítulos mais marcantes e trágicos do urbanismo da cidade na década de 1960.

O Cine Plaza foi inaugurado em 1962, concebido para ser uma sala de exibição de alto padrão, equiparável às melhores salas das grandes capitais.

O Cinema do "Progresso"

Nos primeiros anos da década de 1960, Piracicaba vivia uma forte onda de verticalização e modernização sob o lema de progresso. O maior símbolo dessa era foi a construção do Edifício Luiz de Queiroz, que ficou conhecido popularmente como Edifício Comurba (Companhia de Melhoramentos Urbanísticos), localizado na Praça José Bonifácio.

O Cine Plaza, de propriedade do renomado exibidor Francisco Andia (o "Chico Andia", da rede Cinemas do Interior de SP), foi instalado justamente no térreo/subsolo desse complexo, antes mesmo de as obras dos 15 andares de apartamentos e escritórios estarem totalmente concluídas.

Estrutura: Tinha capacidade para mais de 1.300 espectadores.

Tecnologia: Contava com equipamentos modernos de projeção e acústica que o transformaram rapidamente no principal ponto de encontro da juventude e da elite cultural piracicabana.

O Fim Abrupto (1964)

O Cine Plaza funcionou por apenas cerca de 2 anos. No dia 6 de novembro de 1964, às 13h35, uma parte da estrutura do Edifício Comurba ruiu, provocando o desabamento do prédio sobre o cinema.

A Linha de Fratura: O Edifício Luiz de Queiroz foi projetado em formato sinuoso (remetendo ao Copan, em São Paulo). O Cine Plaza ocupava uma área retangular imensa sob essa curva. Quando a estrutura colapsou às 13h35, ela sofreu uma torção e ruiu verticalmente, acumulando toneladas de concreto exatamente na porção posterior do cinema (onde ficavam a tela, o palco e as saídas de emergência traseiras).

A tragédia, que deixou dezenas de vítimas fatais nos andares superiores e nos arredores, só não foi ainda maior no interior da sala porque a sessão da tarde (que exibiria o clássico A Vida Secreta de Christina Keeler) estava marcada para as 14h, e as portas do cinema ainda não haviam sido abertas ao público no momento exato do colapso.

É nesses momentos que dizemos que Deus é brasileiro. Por 25 minutos, a tragédia poderia ser muito maior. Imaginem os 1.300 lugares ocupados, e o prédio desabando sobre a platéia.

Hoje

O espaço onde ficava o Comurba e o Cine Plaza hoje abriga o Poupatempo e uma agência bancária no centro de Piracicaba. Após a perda do Plaza, o empresário Francisco Andia acabou concentrando seus esforços na reforma de outra tradicional sala da cidade, o Cine Palácio, que posteriormente foi rebatizado como Cine Rivoli.


Os Cinemas de Piracicaba

Naquela época, o circuito de Chiquinho Andia e dos Irmãos Cury na Rua Benjamin Constant dominava a cidade com o Cine Colonial, o Cine Paulistinha e o Cine Palácio. 

Quando o Cine Plaza finalmente foi inaugurado na Praça José Bonifácio, ele se tornou imediatamente o cinema mais moderno e luxuoso do interior paulista, com capacidade para mais de 1.300 espectadores, trazendo o que havia de melhor em acústica, projeção e sofisticação arquitetônica.

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