COMURBA: 61 Anos de uma Tragédia Inacabada em Piracicaba
Hoje, 6 de novembro, marca os 61 anos de um dos eventos mais tristes e impactantes da história de Piracicaba (SP): a Tragédia do Comurba.
Na tarde de 6 de novembro de 1964, o imponente Edifício Luiz de Queiroz, popularmente conhecido como Comurba, e que tinha o tamanho e forma alusivos ao Edifício Copan de São Paulo (SP), ruiu parcialmente, transformando o sonho de modernidade da cidade em uma dolorosa catástrofe.
O Comurba, com 14 ou 15 andares, localizado na Praça José Bonifácio (onde é o Poupatempo agora) era um símbolo da pujança e desenvolvimento de Piracicaba na época, projetado para abrigar apartamentos, lojas e o Cine Plaza.
Sua queda, por volta das 13h30, chocou o interior paulista, deixando um saldo de cerca de 50 mortos e dezenas de feridos. Gritos, poeira e pânico tomaram conta do centro da cidade.
🔍 O Mistério e o Luto que Permanecem
O que torna a Tragédia do Comurba uma história ainda viva é a falta de uma conclusão definitiva sobre as causas do desabamento. Diversas hipóteses foram levantadas, mas o mistério persiste:
Falha Estrutural: A qualidade do material de construção ou um erro de cálculo no projeto (originalmente com 12 andares, foi ampliado para 14 ou 15) são as suspeitas mais frequentes.
Aumento de Carga: O peso da água na caixa-d'água, no momento do enchimento, pode ter sido o estopim da ruína.
A tragédia não apenas causou uma perda imensa de vidas, mas também deixou um trauma coletivo na cidade. Por muitos anos, a construção civil em Piracicaba estagnou, e o local onde ficava o edifício permaneceu com os escombros por anos (foram totalmente removidos somente em 1971 e 1974), um lembrete físico da dor e da impunidade.
O local onde ficava o edifício é, hoje, parte da Praça José Bonifácio, onde está o Poupatempo e a Caixa Econômica Federal. O espaço, apesar de ocupado, ainda carrega o eco de 1964, sendo objeto de exposições, rodas de conversa e iniciativas (como o grupo ECO 64) que buscam resgatar a memória das vítimas e ajudar a cidade a elaborar o luto.
Ao completar 61 anos, a Tragédia do Comurba permanece como um capítulo triste e inacabado, que serve de alerta e um apelo constante à memória e à busca por justiça e reparação às famílias afetadas.
Aplausos para a Vereadora Silvia Morales que vem lutando para que a tragédia não seja esquecida, através de um Memorial a ser colocado no local, e da organização de eventos constantes para marcarem a triste data.

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